terça-feira, 31 de julho de 2012
Maria Helena - Uma artista renascida
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Fernando Lito - Tiqui-Toc
Rapsódia EPF 5.574
Lado A1 - Moira, morena, romã (José Vicente-Fernando Lito)
Lado A2 - Tiqui-Toc (José Lezaun/Fausto Turell-Fernando Lito)
Lado B1 - Deus te guarde (Francisco Ataíde)
Lado B2 - Quero um novo dia (Fernando Lito-Rocha de Oliveira)
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Os Camaradas - Quem trabalha é que deve mandar
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Tino Flores - Organizado o povo é invencível
terça-feira, 17 de abril de 2012
Actualização de mensagens do Bairro do Vinil
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Johhny Rodrigues - Mariquinha
Com recurso à wikipédia holandesa (e com a imprescindível ajuda de um tradutor) descobrimos a figura de Johhny, ou um mais que provável João Rodrigues, que após ter sido chamado pelo exército português para cumprir o serviço militar em Angola (de onde seria enviado para um verdadeiro cenário de guerra) fugiu para os Estados Unidos da América no inicio da década de 70 do século XX, sem que nessa altura tivesse tentado ainda qualquer investida na vida artística.
Na verdade, a incursão de Johhny Rodrigues pela vida artística, só viria a verificar-se, por mero acaso (como quase sempre), quando este se encontrava de férias na Holanda, país onde recebeu convite para gravar um disco, após ter trabalho como DJ em bares e discotecas. Aí, socorrendo-se das influências do nosso folclore, Johhny Rodrigues, apresenta-se em palco como "Johhny & Orquestra Rodrigues" (embora cantasse a solo!), gravando em 1975 a canção "Hey Mal Yo", que mais não é do que uma versão do popular tema do nosso cancioneiro "Ó malhão, malhão", tendo o seu single de estreia, com o mesmo nome, sido imediatamente n.º 1 nos Países Baixos e na Bélgica, permanecendo no topo daqueles países durante doze semanas.
Desconhecemos se "Mariquinha" teve algum sucesso no estrangeiro, embora tudo nos leva a crer que sim, atendendo ao facto de o disco ter sido lançado imediatamente a seguir ao seu single de estreia. Paradoxalmente, o percurso de Johhny Rodrigues foi tão efémero quanto tão rápida foi a sua ascensão aos charts internacionais e o seu desaparecimento do mundo do espectáculo, sendo o seu paradeiro actual para nós mais um mistério por desvendar.
Clique no Play para ouvir um excerto dos temas
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Alberto Ramos - Beijinho Doce
sábado, 10 de dezembro de 2011
Francisco Stoffel - Canto para não chorar
Também nós, que fomos criados bem perto das margens do Mondego, e que ao longo dos últimos anos nos temos dedicado à pesquisa da música popular portuguesa, fomos aprendendo a apreciar o som da outra guitarra portuguesa e a deixarmo-nos seduzir muitas vezes pelas belas vozes que do fado emanam.
Queremos também deixar de lado, enquanto apreciadores do fado de Coimbra, a polémica (para aqui não chamada) da exclusão do Fado de Coimbra da candidatura do Fado a património imaterial da Humanidade. Por isso, dedicaremos a mensagem de hoje a um jovem fadista de Lisboa que, infelizmente, nunca passou de uma mera esperança e cuja saudosa voz muito apreciamos. Para tal, deixaremos nos parágrafos seguintes um pouco do que conhecemos sobre Francisco Stoffel e das gravações das 4 canções que compõem o seu único legado.
Há cerca de 45 anos atrás, em Dezembro de 1966, num dos salões do Hotel Tivoli decorreu um beberete oferecido pela editora de discos catalã Belter. Tratava-se do arranque em Portugal de uma das duas editoras espanholas que na época apostaram na gravação de artistas portugueses (a outra, era a madrilena Marfer). O referido cocktail serviu, portanto, para apresentar os primeiros discos lançados em Portugal de artistas portugueses dessa editora, tendo reunido em tal convívio António Calvário (até então o “rei da rádio”), Luis Guilherme, Alberto Ribeiro e Shegundo Galarza, que foram, juntamente com Francisco Stoffel, os primeiros artistas a gravar para a Belter e cujos discos iriam ser colocados à venda em toda a Espanha, Argentina, Angola, Moçambique, para além de Portugal (então metrópole).No dia da apresentação dos artistas e dos discos aos órgãos de informação, para além da habitual sessão de autógrafos, foram oferecidas pastas com os discos gravados pelos 4 cançonetistas nacionais (Luís Guilherme, Calvário, Alberto Ribeiro e Francisco Stoffel). No entanto, dos quatro cançonetistas apenas três estiveram presentes, pois Francisco Stoffel falecera dias antes vítima de uma doença que os médicos na altura não conseguiram identificar.

Francisco Stoffel, nascido no Estoril, há provavelmente 66 anos, tinha apenas 22 anos quando faleceu, dias antes da apresentação do seu disco à comunicação social.
Stoffel, era, segundo o que apuramos na imprensa da época, a grande descoberta da Belter e a maior promessa de fado castiço para os tempos futuros, tendo chegado a actuar em programas da Rádio Televisão Portuguesa, embora não tenha chegado a conhecer os grandes palcos. As causas da sua morte nunca foram confirmadas, ainda que de acordo com um comentário que encontramos "postado" na internet (sempre sujeito a confirmação) poderá ter falecido vítima de uma forte insolação e das complicações posteriores. Stoffel, com uma voz única para um jovem de 22 anos, deixou-nos apenas 4 sentidos fados, sendo um deles, um fado bem conhecido, popularizado mais tarde por Carlos do Carmo, com o título de “Por morrer uma andorinha”, com música de Francisco Viana e letra de Frederico de Brito.
Clique no Play para ouvir um excerto do disco
terça-feira, 14 de junho de 2011
José Carvalhal - Recado ao Governo
Clique no play para ouvir um excerto de Recado ao Governo
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Pancho & Kamel – Pedra Filosofal
Já vários artistas portugueses gravaram esta canção, não fosse ela reconhecida por todos os quadrantes musicais como uma das mais belas canções alguma vez criadas por intérpretes portugueses. No entanto, desta feita socorremo-nos do duo Pancho & Kamel, composto por F. J. Amenabar (Chile) e Kamel Missaghian (Irão), dois artistas estrangeiros que (provavelmente) se encontravam a residir temporáriamente em Portugal e que tiveram a oportunidade de gravar este trabalho no nosso país para a etiqueta Riso & Ritmo, em data não anterior a 1970.
De facto, o "verdadeiro" nome deste duo é Dia Prometido, um duo psicadélico baseado em Espanha (acompanhado em estúdio com banda de suporte) com reportorio bastante eclético abrangendo versões instrumentais de temas rock, folk, world, jazz, clássica, além de temas originais.
Ao que pudemos apurar, os Dia Prometido lancaram quatro LP's e cinco Singles entre 1971 e 1975 pela Philips em Espanha, sendo este EP da Riso & Ritmo uma excepção, editado para o mercado português com a exclusividade do tema "Pedra Filosofal" que aparentemente não perfila em nenhum dos LP ou Singles da banda.

No aspecto musical, estamos perante um registo bastante simples, respeitando a linha da versão original, embora neste caso, a voz e a guitarra seguem acompanhadas do muito pouco usual santur, um instrumento milenar de origem persa, que ocupa um lugar de destaque neste tema, cabendo-lhe o registo da melodia da canção, passando a voz a ocupar um lugar declamativo.
Não podemos ficar igualmente indiferentes ao timbre exótico e sonoridade planante que o santur nos emana ao longo da interpretação de “Pedra Filosofal” que, juntamente com o facto de estarmos perante uma versão em castelhano, nos oferece uma interessante visão do poema de Gedeão, confirmando a dimensão universalista que só as grandes obras conseguem alcançar.
Clique no Play para ouvir um excerto da canção
1) Peace Meditation (Pancho & Kamel)
2) Pedra Filosofal (Antóneo Gedeão)
3) Improviso Persa (Pancho & Kamel)
4) Concerto de Aranjuez (Joaquin Rodrigo)
segunda-feira, 25 de abril de 2011
O 25 de Abril de 1974 - Conjunto Típico Francisco de Sousa
RODA RPE 1374
A) O Abril de 1974/ Briga de amor
B) Jamais te posso esquecer/ Tenho saudades
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terça-feira, 19 de abril de 2011
Alfredo Santos - Rock Saloio
Clique no Play para ouvir um excerto de Rock Saloio
Alfredo Santos
Roda EP 1278
A) Anda daí Catraia/ Chegou o correio
B) Quero confessar-te/ Rock Saloio
sexta-feira, 25 de março de 2011
Trio Barroco + Tyree Glenn Jr. & Van Dixon - Summer
quinta-feira, 17 de março de 2011
José Fernandes - O Poeta Cavador do Mucifal
Ao contrário de Manuel Alves, José Fernandes não seria analfabeto, pois ele próprio guardou durante anos os escritos que mais tarde serviriam de base à gravação dos 12 temas que constituiem o L.P. que hoje apresentamos. Efectivamente, o disco é preenchido com canções escritas entre 1934 e 1983, tematicamente nada surpreendentes face ao cognome que partilhava com Manuel Alves. Na verdade, as letras estão na sua grande maioria relacionadas com a Natureza, fazendo uma apologia ao orgulho da terra e das colheitas e à peculiar sabedoria que muitas vezes só as gentes do campo possuem devido precisamente a essa forte ligação entre a terra e a Mãe Natureza. Versos como "A minha casinha tem/ Uma vista confortável/ Dela tudo vejo bem/ Respirando um ar saudável" ou "Do campo é que vem/ o pão que todos comemos/ Do pão é que vem/ O vinho que nós bebemos/ E mesmo p'ra quem/ só p'la cidade suspira/ No campo é que tem/ ar puro que se respira", ilustram bem a realidade que José Fernandes quis realçar, quando aos 63 anos, gravou este disco. Gravado quase 100 anos depois de o outro Poeta Cavador ter cantado os seus fados em Coimbra, José Fernandes recorreu a um estilo musical bem diferente para dar forma aos seus versos, num registo bem mais popular, alegre, em clara homenagem à sua terra e às suas raízes, escondendo palavras de esperança e de exaltação aos trabalhadores do campo, segundo ele muitas vezes injustamente considerados rudes e mal-educados. Provavelmente terá sido este o único disco de José Fernandes, de edição de Autor, com sucesso diminuto em Portugal mas com largo reconhecimento na aldeia do Mucifal, onde o seu nome já é nome de Rua. Da nossa parte, deixamos aos ouvintes um excerto do disco deste Poeta Cavador, aliás, Poeta Cantador. Clique no Play para ouvir um excerto do disco
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Henrique Cordeiro e Ariovalda Maria
Os intérpretes desses conhecidos temas, cujo nome apresentamos hoje, são também eles cantores radicados nos Estados Unidos, provenientes dos Açores, cujo nome em Portugal é totalmente desconhecido da quase totalidade dos portugueses. Falamos de dois irmãos : Henrique Cordeiro e de Ariovalda Maria, aqui acompanhados pelo “famoso” Conjunto Ibérico (conforme descrição da capa – uma vez que na contracapa a informação é inexistente), num E.P. gravado pela etiqueta Vance Records.
Sobre esse duo pouco conhecemos, para além do facto de serem ambos cantores açorianos com raízes discográficas que já remontam, pelo menos, ao ano de 1955, quando os dois pertenciam ao grupo Artistas Unidos. Henrique Cordeiro tem diversos registos musicais gravados, quase todos editados nos Estados Unidos, o mesmo sucedendo com Ariovalda Maria. Relativamente ao disco que apresentamos hoje aos nossos ouvintes, segundo informações de um dos membros da formação da altura do denominado Conjunto Ibérico, o mesmo foi gravado em princípios de 1968, numa única sessão de gravação, num dia em que chovia torrencialmente (facto que acrescenta a titulo de curiosidade). Já nessa altura o Conjunto Ibérico sofrera alterações na sua formação, sendo que dois dos seus membros originais se tinham afastado e formado um outro conjunto. Desta forma, conforme nos esclarece, João Cardadeiro, os membros que participaram na gravação deste disco foram: Belmiro Silva, saxofone e director do conjunto, João Cardadeiro* na guitarra electrica, Francisco Rosa na viola-baixo e Manuel Ildeberto "Burt" Gonçalves na bateria.
Os dois músicos que se ausentaram do grupo antes da gravação deste E.P. foram foram Aniceto Batista (entretanto falecido) e José Elmiro Nunes, agora radicado em Lisboa, tendo este último originalmente acompanhando Carlos do Carmo, sendo ainda hoje em dia acompanhante de muitos outros fadistas da nova vaga, entre os quais Ana Moura.
Para além da falta de informação constante no disco, que nos encarregámos de desvendar, há ainda que registar como ponto de interesse, o recurso a um saxofone neste tipo de formação musical como instrumento solista no tema Júlia Florista, com naturais influências americanas. Do mesmo, tal como também no tema Olhos Negros, há ainda o recurso a uma guitarra eléctrica, que se destaca, mais uma vez em completo arrepio com a instrumentalização base dos conjuntos típicos portugueses.
* A quem agradecemos, não só a oferta do disco, como também todas informações relativas à gravação destes temas.
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domingo, 10 de outubro de 2010
ZÉ DA VESGA (ZÉ DO POVO)

Como consequência do grande fluxo emigração ocorrido na década de 60, muitos artistas portugueses fizeram a sua carreira no estrangeiro, não tendo tido muito contacto com a realidade social portuguesa, senão através de noticias partilhadas à distância. No entanto, tal facto não era necessariamente sinónimo de que tais artistas (ou pelo menos parte deles) se encontravam desatentos ao que se passava no país, principalmente no pós 25 de Abril. Ora, um desses artistas que viveu muitos anos no Canada - segundo informações não confirmados já se encontra radicado em Ovar – é José Ferreira Soares, mais “conhecido” por Zé do Povo, Zé da Vesga ou "João Mora Cá" que em pleno verão quente de 1975, lança um E.P., gravado no Canada pela etiqueta Precision Record, num estilo (muito) satírico e bem humorado, através do qual apresenta a sua visão sobre a instabilidade política que se fazia sentir em Portugal, que em pouco de mais de um ano de liberdade, já tinha conhecido seis governos diferentes.

Trata-se de um registo musical manifestamente virado para o sentimento generalizado do povo, o qual ainda se encontrava desconfiado dos ideais de liberdade e de igualdade proclamados pelos generais da revolução, que demoraram a impor-se na sociedade portuguesa. Zé da Vesga, autor e compositor de textos literários e musicais, com posteriores passagens pelo fado, utiliza neste disco, um registo de música baile bem animado, perfeitamente coadunado com o seu irónico registo vocal, constatando situações que, de certa forma, ainda se mantêm actuais. Sobre o seu percurso musical pouco conhecemos, sabendo, no entanto, da existência de um LP e de um outro E.P. denominado “Disquinhos do Zé do Povo”,com os temas “Cravos de 25 d´abril / O grande camaleão / A grande caserna / O punhal e a Rússia”, provavelmente também da mesma editora.
Zé da Vesga, apresenta-se acompanhado pelo, para nós desconhecido Conjunto Capas Negras, conforme se pode ver na capa do E.P. Para finalizarmos, permitam-nos chamar ainda a atenção para a interessante componente caricatural presente na capa, que por si só já transmite para os ouvintes todo o sentimento das músicas constantes deste disco.
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sábado, 24 de julho de 2010
Maria Mendes - Coimbra - Avril au Portugal
Quando, há mais de sete décadas, a dupla Raúl Ferrão e José Galhardo escreveu a canção “Coimbra”, certamente jamais imaginaria que a mesma se iria tornar numa das mais conhecidas canções portuguesas em todo o mundo (senão a mais conhecida), tendo sido tal canção a fonte de ínumeras versões, principalmente instrumentais. Sob o título de “Coimbra”, “April in Portugal” ou “Avril au Portugal”, foram dezenas os artistas que, de uma forma ou outra, incluíram uma versão desta canção num disco seu. Entre as dezenas de exemplos possíveis, temos desde logo Louis Armstrong que popularizou a canção à escala mundial, com o título de "April in Portugal" (e nova letra) passando por Bing Crosby e mais recentemente por Caetano Veloso, sem esquecer Amália Rodrigues, também ela cantora internacionalmente conhecida.Pese embora tenha sido escrita em finais dos anos trinta, tal canção foi sendo sucessivamente rejeitada pelo público como canção de teatro de revista, circuito no qual Raúl Ferrão se inseria enquanto encenador e produtor. Somente em 1947 é que "Coimbra" teria algum reconhecimento, embora reduzido, quando a mesma foi utilizada enquanto canção serenata no filme Capas Negras de Armando Miranda. Contudo, o verdadeiro qui pro cuo, no que diz respeito à popularidade desta canção só aconteceria já na década de 50, quando Amália Rodrigues, mercê do grande sucesso internacional então conseguido, começou a incluir “Coimbra” no seu repertório, principalmente quando cantava no estrangeiro.
Mais do que a beleza dos locais que esta canção invoca, “Coimbra” ou “April in Portugal”, encerra em si também uma melodia de rara beleza, com uma estrutura harmónica só ao alcance das mais belas melodias de sempre. Curiosamente, são de Raúl Ferrão (música) e José Galhardo (letrista) a autoria de algumas das mais belas e populares canções portuguesas, como é o caso de “Lisboa Antiga” ou “Lisboa não sejas francesa”, também elas versionadas por artistas internacionais.
Das dezenas de versões desta canção são de destacar, para além das diversas versões orquestrais instrumentais, também versões em ritmos de salsa, mambo, acordeão, carrilhão, jazz, entre outros estilos.
Não certamente tão recorrente é a versão disco de “Coimbra”, numa mescla de português/francês que apresentamos hoje aos nossos leitores. A intérprete é Maria Mendes neste single de 1978 gravado para a etiqueta francesa Togo Saga Music. De destacar, que o lado B do disco é composto pelo tema “Girassol” com letra da própria artista, sendo que os arranjos de ambas as músicas ficaram a cargo de Gilbert Grilli. Não sendo propriamente um estilo musical que acompanhemos de perto, não podemos deixar de ficar indiferentes aos excelentes arranjos, nomeadamente a secção de metais que enriquece em muito esta interessante versão de "Coimbra".
Clique no Play para ouvir um excerto de "Coimbra"
quinta-feira, 13 de maio de 2010
O MUNDO EM FÁTIMA
Enquanto hoje se celebra com alguma euforia (e exagerada cobertura mediática) a vinda do Papa Bento XVI ao Santuário de Fátima, cabe-nos recuar 43 anos no tempo e ir de encontro ao que por cá se passava em Fátima precisamente neste dia. A 13 de Maio de 1967, decorria em Fátima as comemorações do Cinquentenário das Aparições. Devido ao clima de tensão criado, o Peregrino da Paz, como era apelidado Paulo VI, não se deslocou a Lisboa, tendo aterrado na base de Monte Real e seguido directamente para a Cova da Iria, local das celebrações. Talvez somente suplantado pelas últimas visitas a Fátima de João Paulo II, a celebração da Eucaristia pelo Papa Paulo VI concentrou a 13 de Maio de 1967 a maior aglomeração de fieis jamais reunida em Fátima.

Da homilia de Paulo VI, destaca-se o facto de ter vindo a Portugal rezar pela Paz no Mundo (numa clara alusão à guerra colonial), proferindo-se célebres (e sábias) palavras “Homens, sede homens, sede bons, sede cordatos, abri-vos à consideração do bem total do mundo... Recomeçai a aproximar-vos uns dos outros com a intenção de construir um mundo novo”. Paulo VI rezou a missa, tendo a Oração dos Fieis sido recitada em 8 línguas diferentes, num apelo aos governantes para que o fizessem, com justiça e com verdade (hoje, 43 anos depois, é mais actual do que nunca esse apelo). De todos esses momentos, o momento mais marcante terá sido, sem dúvida, a homilia de Paulo VI que, mesmo num português por vezes mal soletrado mas perfeitamente inteligível, consegue apelar de uma forma particularmente emotiva à paz no mundo, não o fazendo somente através de palavras de circunstância facto que, como é evidente, só poderá assumir contornos de manifesta sinceridade.
Parte dos registos desse dia, ficaram registados em disco, num LP de edição cuidada da Editora Alvorada, em estilo gatefold (capa de abrir), facto raro para a época, devido ao custo elevado de impressão dos discos. Todo o disco é um documento histórico, desde o aspecto artístico e gráfico, passando pela reportagem fotográfica contida no seu interior, até ao registo aúdio propriamente dito. De facto, quem adquirir este disco poderá escutar os momentos correspondentes à entrada do Papa no Santuário, os cânticos arrepiantes em uníssono de um milhão e meio de fieis, a Oração dos Fiéis, a Bênção dos Doentes que se encontravam no Santuário e parte (pensamos nós – ou a totalidade ?) da homilia papal.
Para os leitores interessados, deixamos um largo excerto de tal documento histórico.
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domingo, 9 de maio de 2010
SAGA - HOMO SAPIENS

Liderada por José Luis Tinoco, os Saga lançam com “Homo Sapiens” um dos discos mais aclamados pela crítica nesse ano, com temática centrada em torno da criação do Mundo e da sua quase destruição pela Segunda Guerra mundial, com especial destaque para o lançamento das primeiras bombas atómicas. Trata-se de mais um álbum de rock progressivo sinfónico, numa vertente bastante experimental à imagem de muitos registos musicais dos anos 70, com temas ora cantados ora narrados, transformando este conjunto de canções num trabalho literário e musical muito forte, como se de um autêntico cenário auditivo se tratasse. Os temas “Invasão” e "Hiroshima" são disso um exemplo, roçando a fronteira do teatro musical acompanhado por excelentes instrumentalizações plenas de dramatismo.
Apesar da contemporaneidade que se quis retratar com aquele trabalho musical, para além das letras escritas por José Luis Tinoco, foram adaptados muitos poemas de poetas da portugueses da Alta Idade Média, como é o caso de Nicolau Tolentino e Sá de Miranda, que se uniram ao dramatismo deste trabalho musical corporizado no seu expoente máximo através dos poemas declamados por Sinde Filipe.
Apesar de estarmos perante um dos mais importantes discos já alguma vez gravados, não existe ainda por parte de qualquer editora portuguesa, a sua reedição em cd. Este disco foi reeditado apenas por uma editora coreana em 2001, sendo hoje um dos discos de vinil portugueses mais procurados no mundo inteiro. O facto de as editoras estrangeiras aproveitarem o que de melhor se faz em Portugal, impedindo assim o esquecimento geral de bons trabalhos musicais, já começa a ser recorrente, tendo aliás ocorrido com imensas bandas portuguesas da década de 70. Para os que não conhecem este trabalho, deixamos aqui um excerto do disco.
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sábado, 1 de maio de 2010
O Primeiro de Maio

O mote “O povo unido jamais será vencido” foi repetido vezes sem conta por milhares de manifestantes no conjunto global de manifestações que se deram um pouco por todo o país. Associada a este evento, a Emissora Nacional transmitiu durante mais de 6 horas de emissão uma reportagem contínua sobre o evento através dos seus emissores regionais, da Madeira e dos Açores e ainda através do Rádio Clube de Moçambique e da Emissora Oficial de Angola. Ainda sobre a égide do Movimento das Forças Armadas, a manifestação do 1.º de Maio de 1974, foi uma das primeiras manifestações da liberdade de expressão em Portugal após o 25 de Abril de 1974. Conforme se refere no pequeno texto escrito na capa gatefold do disco vinil que regista para a posterioridade esse momento, aquele dia tratou-se, sem dúvida, de “uma jornada de luta por uma vida melhor” de todos os trabalhadores portugueses, os quais, de acordo com a legislação em vigor à época, lutavam por direitos que embora hoje sejam constitucionalmente reconhecidos como fundamentais, na altura nem sequer existiam e que, certamente, começaram a materializar-se nas manifestações de massas do 1.º de Maio.
Aos microfones da Emissora Nacional, falaram várias personalidades, trabalhadores, ex-presos políticos e até ex-músicos exilados (como é o caso de Luís Cília, cuja voz também é possível ouvir neste disco), num relato radiofónico impressionante, sobretudo para as gerações mais novas, as quais poderão , através deste registo, fazer um esforço imaginativo de memória, recuando atrás no tempo e tendo a percepção da realidade portuguesa nos dias que imediatamente se seguiram ao 25 de Abril de 1974. Excertos dessas seis horas de emissão foram registados em disco, sendo hoje, no dia em que se comemoram 36 anos após o registo desse conteúdo discográfico, o momento ideal para partilharmos com os nossos ouvintes a memória desse dia.
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domingo, 25 de abril de 2010
José Matildes


Tal como Guthrie e Dylan, acompanhados apenas pela sua viola, instrumento acessível de baixo custo, também em Portugal, principalmente no pós 25 de Abril, ocorreu uma verdadeira explosão de cantores de intervenção, que viriam a ficar rotulados como baladeiros. Porém, ainda antes do 25 de Abril, alguns cantores apenas acompanhados pela sua guitarra lançaram discos nos quais abordam de forma directa e crua temas sociais susceptíveis de incomodar muita gente, ao mesmo que simultâneamente, tocavam o coração das pessoas. O medo, o exílio, a morte, a liberdade, a fome, eram alguns dos temas abordados por esses portadores que mais do que possuírem uma voz cuidada e treinada, tinham a particular capacidade de fazer passar a profundidade e o sentimento inerente a este género da música popular portuguesa.
José Matildes é um desses exemplos, um cantor e compositor que no seu primeiro dos seus três (e únicos) discos aborda todos esses temas com a honestidade característica de quem verdadeiramente sentia aquilo que cantava, musicando não só poemas seus, como também um poemas de outros poetas, como Manuel de Alegre e de João de Deus.
O nome de José Matildes não tem figurado na história da música portuguesa, sendo um nome cujo percurso musical findou pouco depois do ecludir da Revolução dos Cravos, com o seu último registo lançado em 1975 pela editora Vitória.
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Jorge Matias - Amarras


Clique no Play para ouvir um excerto de "Amarras"
Alvorada N-S-97-82
sábado, 10 de abril de 2010
Danielis Ricardus - Ineditus
Danielis Ricardus será provavelmente nome artístico que Daniel Ricardo (ou Ricardo Daniel) escolheu para se apresentar em disco. Sobre o artista nada sabemos, reconhecendo-lhe no entanto a ousadia, própria de um jovem, de ter criado a sua etiqueta discográfica com a indicação expressa no disco “Para lançar o meu som criei a minha editora”. Aliás, não é só através da criação da sua editora, que este artista manifesta o total domínio pela produção e idealização deste disco. A ele pertencem também as músicas e os poemas, sendo também Ricardus que toca órgão electrónico, sintetizador e programação, para além de se ter encarregado dos arranjos, direcção musical... e até da própria capa.A acompanhar Danielis Ricardus nos dois temas deste single, estão os músicos Luis Duarte (viola-baixo), Fernando Falé (bateria) e Carlos Manuel (coros em “When I Wake”), interpretendo temas com uma forte componente instrumental, com influências bastante colocados ao rock progressivo anglo saxónico na sua vertente mais simplificada, destacando-se dos demais instrumentos, os sons dos vários teclados utilizados por Danielis Ricardus.
De Danielis Ricardus só podemos falar tendo em conta o som que o próprio artista nos oferece, muito cru, minimalista, provavelmente oriundo de um jovem músico com pretensões de explorar caminhos musicais fora do mainstream discográfico da altura.
Com a particularidade de cantar num inglês muito peculiar, sem rimas, Danielis Ricardus é para nós um mistério que gostaríamos de desvendar, sendo também dele a interessante arte gráfica idealizada para a capa do disco, curiosamente com uma estética totalmente ao arrepio das capas de rock progressivo da época (estilo de música marcadamente reflectido no disco).Da nossa parte deixamos então um excerto das canções constantes no disco que adquirimos, curiosamente, assinado pelo próprio Artista e oferecido ao programa de Rádio “Musical 81”, pelo que acreditamos tratar-se de um disco editado em finais de 1980 ou em 1981.
Danielis Ricardus
1. Ineditus 2. When I Wake
Luis Carlos e Bispo Pimenta - O judeu e a barba
Ao termos assumido como ponto de partida a nossa manifesta ignorância perante o nome e percurso de diversos artistas portugueses e ao nos termos autoproposto a escrever sobre eles, tínhamos consciência de que poderíamos correr sérios riscos de escrever sobre artistas cujo nome ou percurso musical nos era obrigatório conhecer. Contudo, existem nomes, que por mais pesquisas que se façam, sobre eles não conseguimos encontrar qualquer informação, a não ser que nos desloquemos aos jornais de âmbito local ou a Arquivos Municipais de diversas regiões do pais, o que para já não é a nossa intenção. Conforme já referimos, preferimos convidar os leitores a colaborar nos nossos textos, de modo a torná-los o menos incompletos possíveis.Os dois nomes que descobrimos recentemente são exemplos paradigmáticos do que referimos no parágrafo anterior: falamos de Luís Carlos e de Bispo Pimenta, um duo que ganhou o 1.º Prémio dos Jogos Florais de Trás-os- Montes, com a canção “Cantar é ser livre”. Sobre eles e sobre o seu percurso pré e pós Jogos Florais nenhuma informação adicional dispomos, para além das informações que constam na contracapa do disco. Em relação a Luís Carlos, o mesmo tinha em 1977 (data de lançamento do disco) apenas 18 anos e era natural de Vila Nova de Fôz Coa, sendo ainda estudante. Era sobre ele que recaía a responsabilidade de escrever as letras e compôr as canções e embora nenhuma referência expressa conste do disco, arriscamo-nos a dizer que seria também Luís Carlos que se encarregava da parte vocal das canções. Em relação a Bispo Pimenta, (cujo nome completo era Fernando António Bispo Pimenta) seu papel é quase idêntico ao de Luís Carlos, uma vez que compunha as canções juntamente com aquele, tocando também viola.
Tem sido sempre nossa preocupação partilhar temas que, por uma ou outra razão nos chamam mais a atenção em detrimento de outros. Em relação a este duo não foi propriamente a canção “Cantar é ser livre” que nos despertou interesse, uma vez que tal temática era mais do que recorrente no período pós 25 de Abril, embora estivéssemos já em 1977. É sim, a última canção deste E.P. que nos desperta a atenção, pela temática a ela associada.

A canção chama-se “O judeu e a barba”, tendo sido escrita e composta por este duo, com a colaboração de uma terceira pessoa (Fernando Pereira) e tem como tema central o holocausto nazi e em especial os campos de concentração. Mórbido demais para alguns, chocante para outros, esta canção fala de um corpo de um judeu já falecido, cuja barba lhe fora arrancada já em momento posterior à sua morte, aproveitada para diversos fins.
Por outro lado, um outro aspecto que nos chamou a atenção e que confere especial interesse a este disco é o intrínseco mistério que recaí sobre a sua capa. Ora, se na verdade os artistas são o Luís Carlos & Bispo Pimenta, então porque razão na fotografia da capa se encontram 3 pessoas e não somente duas ? Naturalmente que dessas três pessoas, duas delas terão que ser Luís Carlos e Bispo Pimenta. E quem será o terceiro elemento ? Fernando Pereira ? Ou outro músico que terá participado na gravação dos temas ? A esta pergunta naturalmente não sabemos responder, ficando a aguardar que algum dos nossos leitores possa satisfazer a nossa curiosidade e por certo a curiosidade dos portugueses que eventualmente tenham este disco, gravado já na fase final da etiqueta Rapsódia.














