domingo, 20 de setembro de 2009

Paco Bandeira - Hip Hip / Rumba Paca

Hoje, invertemos um pouco o curso normal do nosso blogue ao apelarmos a um músico que toda a gente conhece, ao contrário daqueles que até agora temos vindo a apresentar. Falamos de Paco Bandeira, um dos artistas mais conhecidos da musica ligeira portuguesa, proveniente da região alentejana de Elvas. Facto pouco conhecido é o verdadeiro nome de Paco Bandeira, Francisco Veredas Bandeiras, que viria a adoptar o nome artístico de Paco Bandeira, por nítida influência espanhola. De facto, devido à proximidade de Elvas com a fronteira e com os imensos amigos espanhóis que lhe chamavam “Paco” (diminutivo de Francisco em castelhano) e “Bandera”, foi esse o nome artístico com que se apresentou em palco no início da sua carreira e também o que, justamente, adoptou aquando da gravação do seu primeiro disco.
Durante quase toda a sua carreira, as canções de Paco Bandeira ficaram associadas, de uma maneira ou de outra, às características da sua região natal, tais como as planícies e as searas, a interioridade da província portuguesa, com especial relevo para a vida no campo. Paco Bandeira, teve também imediatamente no período pós-25 de Abril, um contributo importante no canto de intervenção de cariz mais político, dando particular destaque à emigração, ao contrabando, às populações itinerantes de ciganos e à guerra colonial em África.

No entanto, para quem pense a música de Paco Bandeira se resumiu à musica ligeira, com hinos de cariz mais sentimental e popular, trazemos hoje ao bairro do Vinil um pequeno achado, datado de 1973, no qual Paco Bandeira se nos apresenta de uma forma totalmente diferente daquela que tem habituado a maioria dos portugueses. O disco chama-se “Canto para ti”, um E.P. que contempla 4 temas todos eles diferentes entre si, sendo difícil até escolher o que mais se destaca. Contudo, ninguém poderá ficar indiferente à canção “Hip-Hip”, um registo com uma componente marcadamente rock, com um refrão alegre, numa linguagem quase onomatopaica para fazer esquecer as “guerras de cor, do ódio ou rancor” que Paco Bandeira recusa peremptoriamente nessa canção.
No outro lado do disco, como se um outro disco totalmente diferente se tratasse, já Paco Bandeira, influenciado pelas suas quase raízes espanholas, canta na língua castelhana, explicando a origem do seu nome artístico (a mi me llamam Paco), interpretando uma fantástica "Rumba Paca", quase a rondar a perfeição absoluta desse estilo de canto. Para quem nunca ouviu estes registos musicais, certamente ficará surpreendido, aliás, bastante surpreendido com a versatilidade inesperada de Paco Bandeira, cantor que ficámos a conhecer ao longo destes anos pela constância do mesmo género musical com que se tem apresentado. Da nossa parte, ficámos também surpreendidos, pelo que é com grande alegria que partilhamos um excerto destes dois temas.

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Clique no Play para ouvir um excerto das canções

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