sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Henrique Cordeiro e Ariovalda Maria

A comunidade portuguesa radicada nos Estados Unidos da América, nomeadamente a açoriana radicada na California, é bem maior do que aquela que porventura possamos imaginar. Sendo assim, é natural que nessas comunidades surjam muitas vezes músicos portugueses com registos musicais naturalmente virados para a comunidade lusa radicada no estrangeiro. Nada mais óbvio. Não surpreende também que muitos desses músicos conservem bem vivas as raízes musicais da terra-mãe, cantando temas intimamente ligados ao que de mais português há em nós. Um dos temas mais simbólicos do nosso universo musical, é a conhecida “Júlia Florista” com letra de Joaquim Pimentel e música de André Vilar, um fado cantado por dezenas de ilustres intérpretes da nossa canção. Outro dos temas mais conhecidos da música popular portuguesa, é a canção do folclore açoriano “Olhos Negros”, também ela gravada de forma recorrente pelos mais diversos artistas, sendo actualmente conhecida a versão de Teresa Salgueiro.
Os intérpretes desses conhecidos temas, cujo nome apresentamos hoje, são também eles cantores radicados nos Estados Unidos, provenientes dos Açores, cujo nome em Portugal é totalmente desconhecido da quase totalidade dos portugueses. Falamos de dois irmãos : Henrique Cordeiro e de Ariovalda Maria, aqui acompanhados pelo “famoso” Conjunto Ibérico (conforme descrição da capa – uma vez que na contracapa a informação é inexistente), num E.P. gravado pela etiqueta Vance Records.

Sobre esse duo pouco conhecemos, para além do facto de serem ambos cantores açorianos com raízes discográficas que já remontam, pelo menos, ao ano de 1955, quando os dois pertenciam ao grupo Artistas Unidos. Henrique Cordeiro tem diversos registos musicais gravados, quase todos editados nos Estados Unidos, o mesmo sucedendo com Ariovalda Maria. Relativamente ao disco que apresentamos hoje aos nossos ouvintes, segundo informações de um dos membros da formação da altura do denominado Conjunto Ibérico, o mesmo foi gravado em princípios de 1968, numa única sessão de gravação, num dia em que chovia torrencialmente (facto que acrescenta a titulo de curiosidade). Já nessa altura o Conjunto Ibérico sofrera alterações na sua formação, sendo que dois dos seus membros originais se tinham afastado e formado um outro conjunto. Desta forma, conforme nos esclarece, João Cardadeiro, os membros que participaram na gravação deste disco foram: Belmiro Silva, saxofone e director do conjunto, João Cardadeiro* na guitarra electrica, Francisco Rosa na viola-baixo e Manuel Ildeberto "Burt" Gonçalves na bateria.
Os dois músicos que se ausentaram do grupo antes da gravação deste E.P. foram foram Aniceto Batista (entretanto falecido) e José Elmiro Nunes, agora radicado em Lisboa, tendo este último originalmente acompanhando Carlos do Carmo, sendo ainda hoje em dia acompanhante de muitos outros fadistas da nova vaga, entre os quais Ana Moura.
Para além da falta de informação constante no disco, que nos encarregámos de desvendar, há ainda que registar como ponto de interesse, o recurso a um saxofone neste tipo de formação musical como instrumento solista no tema Júlia Florista, com naturais influências americanas. Do mesmo, tal como também no tema Olhos Negros, há ainda o recurso a uma guitarra eléctrica, que se destaca, mais uma vez em completo arrepio com a instrumentalização base dos conjuntos típicos portugueses.

* A quem agradecemos, não só a oferta do disco, como também todas informações relativas à gravação destes temas.

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domingo, 10 de outubro de 2010

ZÉ DA VESGA (ZÉ DO POVO)

Nos meses imediatamente a seguir ao 25 de Abril de 1974, Portugal assistiu a uma proliferação quase desmedida de música de intervenção, fosse ela transvestida sob o modo de canção política ou fosse uma mera continuação do canto de intervenção do pré 25 de Abril. Desse modo, assistiu-se sobretudo a uma utilização do fado (outrora canção conotada com o Regime) como instrumento de divulgação da critica social e política, facto que, por si só, demonstra a grande viragem ocorrida na escolha da temática e das palavras utilizadas na música portuguesa até aos nossos dias. No entanto, não só através do fado se veiculavam as novas palavras do pós 25 de Abril. A esse género associaram-se outros também (injustamente) associados ao Regime, como a música ligeira e a própria musica popular.

Como consequência do grande fluxo emigração ocorrido na década de 60, muitos artistas portugueses fizeram a sua carreira no estrangeiro, não tendo tido muito contacto com a realidade social portuguesa, senão através de noticias partilhadas à distância. No entanto, tal facto não era necessariamente sinónimo de que tais artistas (ou pelo menos parte deles) se encontravam desatentos ao que se passava no país, principalmente no pós 25 de Abril. Ora, um desses artistas que viveu muitos anos no Canada - segundo informações não confirmados já se encontra radicado em Ovar – é José Ferreira Soares, mais “conhecido” por Zé do Povo, Zé da Vesga ou "João Mora Cá" que em pleno verão quente de 1975, lança um E.P., gravado no Canada pela etiqueta Precision Record, num estilo (muito) satírico e bem humorado, através do qual apresenta a sua visão sobre a instabilidade política que se fazia sentir em Portugal, que em pouco de mais de um ano de liberdade, já tinha conhecido seis governos diferentes.

Trata-se de um registo musical manifestamente virado para o sentimento generalizado do povo, o qual ainda se encontrava desconfiado dos ideais de liberdade e de igualdade proclamados pelos generais da revolução, que demoraram a impor-se na sociedade portuguesa. Zé da Vesga, autor e compositor de textos literários e musicais, com posteriores passagens pelo fado, utiliza neste disco, um registo de música baile bem animado, perfeitamente coadunado com o seu irónico registo vocal, constatando situações que, de certa forma, ainda se mantêm actuais. Sobre o seu percurso musical pouco conhecemos, sabendo, no entanto, da existência de um LP e de um outro E.P. denominado “Disquinhos do Zé do Povo”,com os temas “Cravos de 25 d´abril / O grande camaleão / A grande caserna / O punhal e a Rússia”, provavelmente também da mesma editora.
Zé da Vesga, apresenta-se acompanhado pelo, para nós desconhecido Conjunto Capas Negras, conforme se pode ver na capa do E.P. Para finalizarmos, permitam-nos chamar ainda a atenção para a interessante componente caricatural presente na capa, que por si só já transmite para os ouvintes todo o sentimento das músicas constantes deste disco.



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sábado, 24 de julho de 2010

Maria Mendes - Coimbra - Avril au Portugal

Quando, há mais de sete décadas, a dupla Raúl Ferrão e José Galhardo escreveu a canção “Coimbra”, certamente jamais imaginaria que a mesma se iria tornar numa das mais conhecidas canções portuguesas em todo o mundo (senão a mais conhecida), tendo sido tal canção a fonte de ínumeras versões, principalmente instrumentais. Sob o título de “Coimbra”,April in Portugal” ou “Avril au Portugal”, foram dezenas os artistas que, de uma forma ou outra, incluíram uma versão desta canção num disco seu. Entre as dezenas de exemplos possíveis, temos desde logo Louis Armstrong que popularizou a canção à escala mundial, com o título de "April in Portugal" (e nova letra) passando por Bing Crosby e mais recentemente por Caetano Veloso, sem esquecer Amália Rodrigues, também ela cantora internacionalmente conhecida.
Pese embora tenha sido escrita em finais dos anos trinta, tal canção foi sendo sucessivamente rejeitada pelo público como canção de teatro de revista, circuito no qual Raúl Ferrão se inseria enquanto encenador e produtor. Somente em 1947 é que "Coimbra" teria algum reconhecimento, embora reduzido, quando a mesma foi utilizada enquanto canção serenata no filme Capas Negras de Armando Miranda. Contudo, o verdadeiro qui pro cuo, no que diz respeito à popularidade desta canção só aconteceria já na década de 50, quando Amália Rodrigues, mercê do grande sucesso internacional então conseguido, começou a incluir “Coimbra” no seu repertório, principalmente quando cantava no estrangeiro.
Mais do que a beleza dos locais que esta canção invoca, “Coimbra” ou “April in Portugal”, encerra em si também uma melodia de rara beleza, com uma estrutura harmónica só ao alcance das mais belas melodias de sempre. Curiosamente, são de Raúl Ferrão (música) e José Galhardo (letrista) a autoria de algumas das mais belas e populares canções portuguesas, como é o caso de “Lisboa Antiga” ou “Lisboa não sejas francesa”, também elas versionadas por artistas internacionais.
Das dezenas de versões desta canção são de destacar, para além das diversas versões orquestrais instrumentais, também versões em ritmos de salsa, mambo, acordeão, carrilhão, jazz, entre outros estilos.
Não certamente tão recorrente é a versão disco de “Coimbra”, numa mescla de português/francês que apresentamos hoje aos nossos leitores. A intérprete é Maria Mendes neste single de 1978 gravado para a etiqueta francesa Togo Saga Music. De destacar, que o lado B do disco é composto pelo tema “Girassol” com letra da própria artista, sendo que os arranjos de ambas as músicas ficaram a cargo de Gilbert Grilli. Não sendo propriamente um estilo musical que acompanhemos de perto, não podemos deixar de ficar indiferentes aos excelentes arranjos, nomeadamente a secção de metais que enriquece em muito esta interessante versão de "Coimbra".


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quinta-feira, 13 de maio de 2010

O MUNDO EM FÁTIMA

Enquanto hoje se celebra com alguma euforia (e exagerada cobertura mediática) a vinda do Papa Bento XVI ao Santuário de Fátima, cabe-nos recuar 43 anos no tempo e ir de encontro ao que por cá se passava em Fátima precisamente neste dia. A 13 de Maio de 1967, decorria em Fátima as comemorações do Cinquentenário das Aparições.
Ao contrário do que sucedeu em 1982, por altura do jubileu, em que a visita de João Paulo II foi vista com naturalidade e aceitação por parte de todas as altas patentes do Estado Português, o mesmo já não se poderá dizer em relação à visita de Paulo VI em 1967. Com efeito, a assombrar a visita papal estavam duas questões que foram decisivas para o Vaticano despolitizasse a visita do Papa a Portugal: em primeiro lugar a guerra colonial que Portugal, orgulhosamente só, insistia manter, ao arrepio do que se passava nos outros países europeus; e em segundo lugar, o facto de um ano antes, Salazar ter censurado a visita do Papa à Índia, que, como se sabe, iniciara o princípio do fim do império colonialista português, com a anexação de Goa, Damão e Diu. Por essas (e outras razões) a visita do Papa a Portugal foi tudo menos pacífica,tendo sido desencadeada, uma das mais fortes operações de segurança já alguma vez vistas em Portugal.
Devido ao clima de tensão criado, o Peregrino da Paz, como era apelidado Paulo VI, não se deslocou a Lisboa, tendo aterrado na base de Monte Real e seguido directamente para a Cova da Iria, local das celebrações. Talvez somente suplantado pelas últimas visitas a Fátima de João Paulo II, a celebração da Eucaristia pelo Papa Paulo VI concentrou a 13 de Maio de 1967 a maior aglomeração de fieis jamais reunida em Fátima.
Para além dos fieis e peregrinos, em Fátima, estiveram igualmente reunidos 7 cardeais (responsáveis pela Oração aos Fiéis), meia centena de Arcebispos e Bispos, membros do Corpo Diplomático e variadíssimas colectividades religiosas, nacionais e estrangeiras. Curiosamente, apesar da aparente resistência, as mais altas figuras do nossa da Nação, estiveram presentes em massa, embora a título meramente particular. Por essa razão, Paulo VI não foi considerado visita de Estado, nem hospedado a expensas do Estado por não ser seu convidado, tendo sido antes hóspede do Bispo de Leiria.

Da homilia de Paulo VI, destaca-se o facto de ter vindo a Portugal rezar pela Paz no Mundo (numa clara alusão à guerra colonial), proferindo-se célebres (e sábias) palavras “Homens, sede homens, sede bons, sede cordatos, abri-vos à consideração do bem total do mundo... Recomeçai a aproximar-vos uns dos outros com a intenção de construir um mundo novo”. Paulo VI rezou a missa, tendo a Oração dos Fieis sido recitada em 8 línguas diferentes, num apelo aos governantes para que o fizessem, com justiça e com verdade (hoje, 43 anos depois, é mais actual do que nunca esse apelo). De todos esses momentos, o momento mais marcante terá sido, sem dúvida, a homilia de Paulo VI que, mesmo num português por vezes mal soletrado mas perfeitamente inteligível, consegue apelar de uma forma particularmente emotiva à paz no mundo, não o fazendo somente através de palavras de circunstância facto que, como é evidente, só poderá assumir contornos de manifesta sinceridade.
Parte dos registos desse dia, ficaram registados em disco, num LP de edição cuidada da Editora Alvorada, em estilo gatefold (capa de abrir), facto raro para a época, devido ao custo elevado de impressão dos discos. Todo o disco é um documento histórico, desde o aspecto artístico e gráfico, passando pela reportagem fotográfica contida no seu interior, até ao registo aúdio propriamente dito. De facto, quem adquirir este disco poderá escutar os momentos correspondentes à entrada do Papa no Santuário, os cânticos arrepiantes em uníssono de um milhão e meio de fieis, a Oração dos Fiéis, a Bênção dos Doentes que se encontravam no Santuário e parte (pensamos nós – ou a totalidade ?) da homilia papal.
Para os leitores interessados, deixamos um largo excerto de tal documento histórico.

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domingo, 9 de maio de 2010

SAGA - HOMO SAPIENS


A banda Saga, apesar de ter sido uma das mais originais bandas portuguesas dos anos 70, teve um percurso bastante efémero, tendo gravado apenas um disco, com o título de “Homo Sapiens”. Devido a esse carácter efémero o nome da banda é hoje praticamente desconhecido dos portugueses, facto para o qual contribuiu o estilo menos comercial que a banda adoptou, de acordo com a nova vaga de rock que paulatinamente se começava a instalar um pouco por todo o mundo.
Liderada por José Luis Tinoco, os Saga lançam com “Homo Sapiens” um dos discos mais aclamados pela crítica nesse ano, com temática centrada em torno da criação do Mundo e da sua quase destruição pela Segunda Guerra mundial, com especial destaque para o lançamento das primeiras bombas atómicas. Trata-se de mais um álbum de rock progressivo sinfónico, numa vertente bastante experimental à imagem de muitos registos musicais dos anos 70, com temas ora cantados ora narrados, transformando este conjunto de canções num trabalho literário e musical muito forte, como se de um autêntico cenário auditivo se tratasse. Os temas “Invasão” e "Hiroshima" são disso um exemplo, roçando a fronteira do teatro musical acompanhado por excelentes instrumentalizações plenas de dramatismo.
Apesar da contemporaneidade que se quis retratar com aquele trabalho musical, para além das letras escritas por José Luis Tinoco, foram adaptados muitos poemas de poetas da portugueses da Alta Idade Média, como é o caso de Nicolau Tolentino e Sá de Miranda, que se uniram ao dramatismo deste trabalho musical corporizado no seu expoente máximo através dos poemas declamados por Sinde Filipe.
Apesar de estarmos perante um dos mais importantes discos já alguma vez gravados, não existe ainda por parte de qualquer editora portuguesa, a sua reedição em cd. Este disco foi reeditado apenas por uma editora coreana em 2001, sendo hoje um dos discos de vinil portugueses mais procurados no mundo inteiro. O facto de as editoras estrangeiras aproveitarem o que de melhor se faz em Portugal, impedindo assim o esquecimento geral de bons trabalhos musicais, já começa a ser recorrente, tendo aliás ocorrido com imensas bandas portuguesas da década de 70. Para os que não conhecem este trabalho, deixamos aqui um excerto do disco.

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sábado, 1 de maio de 2010

O Primeiro de Maio


Em Maio de 1974, celebrou-se pela primeira vez em Portugal após longos anos de interregno, o Primeiro de Maio, cinco dias após a Revolução dos Cravos, num clima de verdadeira tensão, onde eram esperados alguns confrontos e reacções provindas de sectores não familiarizados com as novas ideias que rapidamente emergiam após a recente revolução de Abril. No entanto, contrariamente ao esperado, as celebrações do dia 1 de Maio em Portugal, acabaram por ser pacíficas, transformando-se numa verdadeira manifestação espontânea e numa festa da união popular e dos trabalhadores portugueses.
O mote “O povo unido jamais será vencido” foi repetido vezes sem conta por milhares de manifestantes no conjunto global de manifestações que se deram um pouco por todo o país. Associada a este evento, a Emissora Nacional transmitiu durante mais de 6 horas de emissão uma reportagem contínua sobre o evento através dos seus emissores regionais, da Madeira e dos Açores e ainda através do Rádio Clube de Moçambique e da Emissora Oficial de Angola. Ainda sobre a égide do Movimento das Forças Armadas, a manifestação do 1.º de Maio de 1974, foi uma das primeiras manifestações da liberdade de expressão em Portugal após o 25 de Abril de 1974. Conforme se refere no pequeno texto escrito na capa gatefold do disco vinil que regista para a posterioridade esse momento, aquele dia tratou-se, sem dúvida, de “uma jornada de luta por uma vida melhor” de todos os trabalhadores portugueses, os quais, de acordo com a legislação em vigor à época, lutavam por direitos que embora hoje sejam constitucionalmente reconhecidos como fundamentais, na altura nem sequer existiam e que, certamente, começaram a materializar-se nas manifestações de massas do 1.º de Maio.
Aos microfones da Emissora Nacional, falaram várias personalidades, trabalhadores, ex-presos políticos e até ex-músicos exilados (como é o caso de Luís Cília, cuja voz também é possível ouvir neste disco), num relato radiofónico impressionante, sobretudo para as gerações mais novas, as quais poderão , através deste registo, fazer um esforço imaginativo de memória, recuando atrás no tempo e tendo a percepção da realidade portuguesa nos dias que imediatamente se seguiram ao 25 de Abril de 1974. Excertos dessas seis horas de emissão foram registados em disco, sendo hoje, no dia em que se comemoram 36 anos após o registo desse conteúdo discográfico, o momento ideal para partilharmos com os nossos ouvintes a memória desse dia.

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domingo, 25 de abril de 2010

José Matildes


Para os menos conhecedores e principalmente para aqueles que não se dedicam ao estudo mais aprofundado da musica portuguesa, quando se fala de canto de intervenção particular, desde logo vêm à cabeça habituais cantores, tais como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Sérgio Godinho, José Mário Branco, entre outros. Se é verdade que o nome destes cantores perpetua ainda na nossa memória devido ao enorme talento que tinham (e ainda têm – os vivos-), não deixa de ser verdade que o facto de se encontrarem quase todos exilados contribuiu para que os seus discos (de enorme qualidade), lançados quase que clandestinamente, quando chegavam a terras portuguesas tivessem um impacto muito superior ao de outros artistas que por cá gravavam com menos regularidade, e muitos deles, até de modo efémero.
Tal como Guthrie e Dylan, acompanhados apenas pela sua viola, instrumento acessível de baixo custo, também em Portugal, principalmente no pós 25 de Abril, ocorreu uma verdadeira explosão de cantores de intervenção, que viriam a ficar rotulados como baladeiros. Porém, ainda antes do 25 de Abril, alguns cantores apenas acompanhados pela sua guitarra lançaram discos nos quais abordam de forma directa e crua temas sociais susceptíveis de incomodar muita gente, ao mesmo que simultâneamente, tocavam o coração das pessoas. O medo, o exílio, a morte, a liberdade, a fome, eram alguns dos temas abordados por esses portadores que mais do que possuírem uma voz cuidada e treinada, tinham a particular capacidade de fazer passar a profundidade e o sentimento inerente a este género da música popular portuguesa.
José Matildes é um desses exemplos, um cantor e compositor que no seu primeiro dos seus três (e únicos) discos aborda todos esses temas com a honestidade característica de quem verdadeiramente sentia aquilo que cantava, musicando não só poemas seus, como também um poemas de outros poetas, como Manuel de Alegre e de João de Deus.
O nome de José Matildes não tem figurado na história da música portuguesa, sendo um nome cujo percurso musical findou pouco depois do ecludir da Revolução dos Cravos, com o seu último registo lançado em 1975 pela editora Vitória.

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Jorge Matias - Amarras


Apesar de o chamado canto de intervenção ter tido algumas das suas raízes na década de 40, com as famosas Canções heróicas de Lopes Graça, a expressão é maioritariamente reconhecida no âmbito da chamada canção de resistência de matriz muito objectiva e directa, despida de arranjos orquestrais, na qual se dava primazia a um só instrumento (normalmente a viola) e à voz do autor (geralmente um cantautor). Obviamente que definir assim a música de intervenção seria o mesmo que reconduzi-la a uma visão demasiado simplista dessa nova atitude musical, uma vez que música de intervenção não se reconduziu apenas ao aglomerar de meia dúzia de chamados baladeiros que apelavam ao fim da guerra colonial e ao fim do regime Salazarista. Bem pelo contrário; no universo da música de intervenção em Portugal no período pré 25 de Abril há também que destacar alguns cantores que, mesmo mantendo a distância e nunca se assumindo contra o regime, também permitiram que a sua voz fosse o veículo de mensagens intimamente conotadas com uma nova mudança que se pretendia instalar na sociedade portuguesa. Aliás, muitos cantores (uns mais conotados com o nacional-cançonetismo do que outros) cantaram textos manifestamente susceptíveis de censura caso os mesmos fossem cantados por outros artistas. Um dos exemplos mais flagrantes (e que nos vem a memória neste preciso momento) é o de João Maria Tudella que ainda antes da Primavera Marcelista, cantou o tema “Liberdade” com letra de Manuel Alegre num dos discos que lançou para o mercado em finais dos anos 60 sem que (aparentemente) a brigada dos lápis azuis reparasse em tal facto.
Outros exemplos concretos poderíamos dar em relação a outros artistas sobejamente conhecidos. No entanto, optamos por divulgar o nome de mais um artista desconhecido do panorama actual que, em 1973, já com Marcelo Caetano no poder, optou por recorrer a um registo pop rock para lançar para o mercado discográfico um single com letras de conteúdo manifestamente associado à canção de intervenção. Efectivamente com “Amarras” e “Quanto valho”, Jorge Matias, apela ao universo da musica ligeira revestida de modernidade pop rock e com arranjos orquestrais plenos para cantar os mesmos temas que os cantores exilados da geração de 70 cantavam em França. Um dos temas recorrentes era o dos presos políticos, muitos deles autênticos prisioneiros, que passaram dias, meses ou até anos na prisão por divergirem dos ideais do regime. Felizmente, muitos deles acabaram por ser libertados, ao contrário do prisioneiro que Jorge Matias retrata nesta canção, que farto das amarras que o atormentavam parece desistir da própria vida abrindo a sua própria cova na cela que o encarcerava.

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Alvorada N-S-97-82

sábado, 10 de abril de 2010

Danielis Ricardus - Ineditus

Danielis Ricardus será provavelmente nome artístico que Daniel Ricardo (ou Ricardo Daniel) escolheu para se apresentar em disco. Sobre o artista nada sabemos, reconhecendo-lhe no entanto a ousadia, própria de um jovem, de ter criado a sua etiqueta discográfica com a indicação expressa no disco “Para lançar o meu som criei a minha editora”. Aliás, não é só através da criação da sua editora, que este artista manifesta o total domínio pela produção e idealização deste disco. A ele pertencem também as músicas e os poemas, sendo também Ricardus que toca órgão electrónico, sintetizador e programação, para além de se ter encarregado dos arranjos, direcção musical... e até da própria capa.
A acompanhar Danielis Ricardus nos dois temas deste single, estão os músicos Luis Duarte (viola-baixo), Fernando Falé (bateria) e Carlos Manuel (coros em “When I Wake”), interpretendo temas com uma forte componente instrumental, com influências bastante colocados ao rock progressivo anglo saxónico na sua vertente mais simplificada, destacando-se dos demais instrumentos, os sons dos vários teclados utilizados por Danielis Ricardus.
De Danielis Ricardus só podemos falar tendo em conta o som que o próprio artista nos oferece, muito cru, minimalista, provavelmente oriundo de um jovem músico com pretensões de explorar caminhos musicais fora do mainstream discográfico da altura.

Com a particularidade de cantar num inglês muito peculiar, sem rimas, Danielis Ricardus é para nós um mistério que gostaríamos de desvendar, sendo também dele a interessante arte gráfica idealizada para a capa do disco, curiosamente com uma estética totalmente ao arrepio das capas de rock progressivo da época (estilo de música marcadamente reflectido no disco).
Da nossa parte deixamos então um excerto das canções constantes no disco que adquirimos, curiosamente, assinado pelo próprio Artista e oferecido ao programa de Rádio “Musical 81”, pelo que acreditamos tratar-se de um disco editado em finais de 1980 ou em 1981.

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Danielis Ricardus
1. Ineditus 2. When I Wake

Luis Carlos e Bispo Pimenta - O judeu e a barba

Ao termos assumido como ponto de partida a nossa manifesta ignorância perante o nome e percurso de diversos artistas portugueses e ao nos termos autoproposto a escrever sobre eles, tínhamos consciência de que poderíamos correr sérios riscos de escrever sobre artistas cujo nome ou percurso musical nos era obrigatório conhecer. Contudo, existem nomes, que por mais pesquisas que se façam, sobre eles não conseguimos encontrar qualquer informação, a não ser que nos desloquemos aos jornais de âmbito local ou a Arquivos Municipais de diversas regiões do pais, o que para já não é a nossa intenção. Conforme já referimos, preferimos convidar os leitores a colaborar nos nossos textos, de modo a torná-los o menos incompletos possíveis.
Os dois nomes que descobrimos recentemente são exemplos paradigmáticos do que referimos no parágrafo anterior: falamos de Luís Carlos e de Bispo Pimenta, um duo que ganhou o 1.º Prémio dos Jogos Florais de Trás-os- Montes, com a canção “Cantar é ser livre”. Sobre eles e sobre o seu percurso pré e pós Jogos Florais nenhuma informação adicional dispomos, para além das informações que constam na contracapa do disco. Em relação a Luís Carlos, o mesmo tinha em 1977 (data de lançamento do disco) apenas 18 anos e era natural de Vila Nova de Fôz Coa, sendo ainda estudante. Era sobre ele que recaía a responsabilidade de escrever as letras e compôr as canções e embora nenhuma referência expressa conste do disco, arriscamo-nos a dizer que seria também Luís Carlos que se encarregava da parte vocal das canções. Em relação a Bispo Pimenta, (cujo nome completo era Fernando António Bispo Pimenta) seu papel é quase idêntico ao de Luís Carlos, uma vez que compunha as canções juntamente com aquele, tocando também viola.
Tem sido sempre nossa preocupação partilhar temas que, por uma ou outra razão nos chamam mais a atenção em detrimento de outros. Em relação a este duo não foi propriamente a canção “Cantar é ser livre” que nos despertou interesse, uma vez que tal temática era mais do que recorrente no período pós 25 de Abril, embora estivéssemos já em 1977. É sim, a última canção deste E.P. que nos desperta a atenção, pela temática a ela associada.

A canção chama-se “O judeu e a barba”, tendo sido escrita e composta por este duo, com a colaboração de uma terceira pessoa (Fernando Pereira) e tem como tema central o holocausto nazi e em especial os campos de concentração. Mórbido demais para alguns, chocante para outros, esta canção fala de um corpo de um judeu já falecido, cuja barba lhe fora arrancada já em momento posterior à sua morte, aproveitada para diversos fins.
É certo que muitas canções sobre o holocausto existem espalhadas por esse mundo fora, principalmente provenientes de países que de uma forma directa ou indirecta estiveram associados ao holocausto nazi. Sendo certo que não conhecemos tudo, esta é até ao momento a única canção que encontrámos cantada por um artista popular ou grupo português que tem como temática central os campos de concentração de nazis e o holocausto associado ao extermínio de judeus, interpretada num interessante registo folk-rock, com uma acentuada vertente baladeira.
Por outro lado, um outro aspecto que nos chamou a atenção e que confere especial interesse a este disco é o intrínseco mistério que recaí sobre a sua capa. Ora, se na verdade os artistas são o Luís Carlos & Bispo Pimenta, então porque razão na fotografia da capa se encontram 3 pessoas e não somente duas ? Naturalmente que dessas três pessoas, duas delas terão que ser Luís Carlos e Bispo Pimenta. E quem será o terceiro elemento ? Fernando Pereira ? Ou outro músico que terá participado na gravação dos temas ? A esta pergunta naturalmente não sabemos responder, ficando a aguardar que algum dos nossos leitores possa satisfazer a nossa curiosidade e por certo a curiosidade dos portugueses que eventualmente tenham este disco, gravado já na fase final da etiqueta Rapsódia.
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Luis Carlos & Bispo Pimenta
Rapsódia EPF 5818
1. Cantar é ser livre (Luis Carlos - Bispo Pimenta)
2. Ilusões (Luis Carlos - Bispo Pimenta)
3. O Judeu e a Barba (Luis Carlos - Bispo Pimenta - Fernando Pereira)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

José Lello - Baladas

Para além dos diversos cargos políticos de destaque que o deputado do Partido Socialista José Lello ocupou no passado recente, que lhe deram alguma notoriedade pública, o seu nome esteve também associado nos últimos dias a uma polémica ocorrida no palco de muitos confrontos: A Assembleia da República. Falamos, naturalmente, do ataque de nervos que José Lello teve quando um jornalista focou a sua objectiva para o monitor do seu computador de trabalho, facto que levou o deputado a queixar-se, visivelmente furioso, de tal violação de privacidade, segundo o seu entendimento. A cena assumiu contornos naturais de Youtube, não tivesse José Lello fechado a tampa do monitor com tamanha força no final da sua intervenção, atitude que levou o presidente da Assembleia da Républica, Jaime Gama, a chamar a atenção do deputado, advertindo-o de que o seu computador não era de uso particular mas sim da Assembleia da República. A menos que o ilustre deputado estivesse a consultar sites duvidosos ou a trocar e-mails de conteúdo obsceno com outros ilustres deputados, a reacção de José Lello, por ser manifestamente despropositada acabou por relançar (nem que seja apenas por uma ou duas mediáticas semanas) o seu nome para as luzes da ribalta e para o mundo do espectáculo, tal como o fizera há já muitos anos atrás.
É que na verdade, já há muitos anos, José Lello foi o vocalista da famosa banda de yé yé , Os Titãs , conjunto que ganhou alguma notoriedade entre 1963 e 1969. Antes dos Titãs, formação para a qual terá entrado apenas em 1967, José Lello pertenceu ainda ao grupo “Os Cinco Académicos” e também ao Conjunto de Sousa Pinto. Como era característica da época, os grupos de Yé Yé portugueses, tinham todos uma duração efémera ou então mudavam radicalmente de formação (para muito contribuindo a obrigatoriedade de cumprimento de serviço militar no Ultramar), tendo sido sem surpresa que em 1969 tivesse ocorrido dissolução do grupo. No entanto, o percurso musical de José Lello não se ficaria pelos Titãs, tendo o mesmo gravado em 1969, o primeiro de dois E.P.'s para a etiqueta Alvorada, com letras e música de sua autoria (com excepção da Balada do Emigrante e Pescador, com música de Carlos Frias de Carvalho). Não fugindo da linha musical que lhe precedeu, José Lello através deste registo, conforme bem realça Ribeiro de Almeida (autor do pequeno texto de apresentação constante na contracapa do disco), mostra a sua escrita poética através de uma voz correctamente bem timbrada e plena de juventude.
Os arranjos e acompanhamento musical pertencem à Orquestra de Italo Caffi, notando-se na grande maioria dos temas a ausência de acompanhamento rítmico (ao arrepio da nota predominante nas orquestras), encaminhando o ouvinte mais para a escuta da letra, do que para a música propriamente dita, talvez com o propósito de acentuar no género balada a mensagem de dramas humanos que especialmente naquela época ocupavam a mente do povo português e de José Lello em particular.
Contrariamente ao seu percurso político já de longa duração, o percurso de José Lello terminou pouco depois (pelo que sabemos) após o lançamento do seu segundo disco, frustrando-se assim o augúrio de sucesso que lhe fora destinado por Ribeiro de Almeida, quando escreveu que José Lello era "Alguém" que surge e de que havia muito a esperar.

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domingo, 14 de março de 2010

ISILDA MARIA

Não somos do tempo de Isilda Maria e confessamos que dela nunca tínhamos ouvido falar até adquirirmos aquele que é provavelmente o seu único disco, editado a título póstumo, como forma de homenagem dos seus familiares após a sua prematura morte. As escassas informações que recolhemos sobre Isilda Maria constam todas na contracapa do disco pelo que, na ausência de mais informações, transcrevemos na íntegra o texto de homenagem de Manuel Moreno escreveu sobre a artista:

"Este disco é uma homenagem à popular artista angolana ISILDA MARIA. Muito jovem ainda, possuía uma voz extraordinariamente promissora e o futuro, indicava-lhe uma auspiciosa carreira artística. ISILDA MARIA tinha o jeito das grandes vedetas de revista , Angola admirou-a em diversas interpretações desde os espectáculos de Music-Hall ao teatro ligeiro, onde encabeçou os elencos mais aplaudidos que constituíram êxitos de bilheteira.
ISILDA cantava com o coração porque era essencialmente uma voz do povo. Amorosamente gaiata a sua azougada presença, enchia os palcos e quando a sua voz fresca e bonita se fazia ouvir era o delírio das plateias angolanas.
Não quis o destino que a sua radiosa figura de artista popular permanecesse viva fisicamente. Num dia cinzento, quando ISILDA MARIA seguia a bordo dum avião que a levaria, mais uma vez, a cantar para o seu inúmero publico que a aguardava no norte do Estado, um desastre, vitimou-a, levando-a deste mundo, compungindo o coração de todos os que a conheciam e admiravam.
Ficou a sua voz perpetuada neste disco que agora se entrega ao em quatro trechos musicais, que o seu incontestável talento de artista, valorizou e enriqueceu."



Nascida em Faro, em 4 de Fevereiro de 1948, Isilda Maria cedo foi para Luanda, juntamente com os seus país, tendo sido nessa cidade que se revelou em 1962, no programa "Gente Nova" de Manuel Moreno. Mais tarde, em 1963, com apenas 15 anos de idade, participou em "À sombra da bananeira" uma pioneira tentativa de teatro de revista em Angola, tendo ainda nesse ano, juntamente com outros artistas angolanos (como Sara Chaves e Minah Jardim) cantado para o Presidente da República de então numa festa de recepção ao chefe de Estado. Fez ainda parte do grupo de artistas "Isto é Portugal", que fizeram um tournée por terras de angola, de onde faziam parte, entre outros, Allia Clinton, Eduardo Santos e Anita Guerreiro (sua grande influência). Isilda Maria terá falecido (em data que ainda não conseguimos apurar)  pouco tempo antes transpor para disco a sua voz e que, muito provavelmente as suas gravações privadas terão sido aproveitadas pelos familiares para a edição deste E.P., uma vez que duas das canções são, inclusivamente, gravações ao vivo.
O primeiro dos temas incluídos no disco "Velho Barco" (o mais longo, daí o facto de o E.P. ter apenas 3 temas e não quatro como, por lapso, foi escrito no texto da contracapa) foi, aliás, a canção pela qual Isilda Maria receberia o prémio de interpretação no 9.º Festival da Canção de Luanda de 1967, no qual cantou acompanhada pelo Conjunto de Renato Silva, à semelhança do segundo tema “Nem Sol, nem Lua”, também uma gravação ao vivo.


Isilda Maria, galardoada em 1967, com o artista Artur Rodrigues
Apesar daqueles dois registos musicais mais modernos, é a adaptação do popular fado Meia Noite para "Fado das Perguntas" cantado por Isilda Maria que mais nos chamou a atenção, pelo facto de a sua letra ironicamente ao ser apreciada em momento posterior à sua morte adquirir contornos de alguma fatalidade. Ou seja, as interrogações que canta Isilda Maria e as perguntas à Vida e à Morte que a própria canta, infelizmente, para quem as ouve já tiveram a sua resposta.
Este disco trata-se de uma edição particular e não comercial, cuja distribuição terá sido feita em quantidades muito limitadas. Para além de todas as particularidades que rodeiam este disco, destacamos ainda o facto de o nosso exemplar conter uma dedicatória muito possivelmente assinada pelos pais da malograda artista (“Lembrança da nossa saudosa filha”) facto que reforça ainda mais a raridade e o carácter familiar da distribuição deste disco.
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Isilda Maria
1. Velho Barco (Helena Moreira Viana/ Manuel Viana)
2. Nem Sol nem Lua (Nóbrega e Sousa/ David Mourão Ferreira)
ac. Conjunto Renato Silva
3. Fado das perguntas (Fado Meia Noite/ Gabriel Duarte)
ac. Luis Moreira (guitarra) e Humberto Andrade (viola)
Edição Particular não comercial

Balada do Entardecer - Coimbra

O disco que apresentamos hoje é, acima de tudo, uma peça de grande valor filatélico. Parece estranho, não é? Vamos esclarecer: a filatelia, numa definição muito abreviada, traduz-se no passatempo de colecionar selos e todos os seus derivados, nomeadamente carimbos (carimbologia) cartas antigas (pré-filatelia), postais, entre outras coisas intimamente ligadas à circulação de correspondência as quais, com o decorrer dos tempos, se transformaram em coleccionismo. No entanto, não iremos entrar muito por esse campo (no qual somos também entendidos), cabendo-nos apenas partilhar consigo um interessante lote adquirido num leilão filatélico, que tem a dupla particularidade de ser simultaneamente um objecto de colecção para os filatelistas (em particular aqueles que coleccionam inteiros postais) e para os amantes do vinil. Falamos de um POSTALDISCO, que conforme a aglutinação de palavras assim o indica, tem a particularidade de ser simultaneamente um postal e um disco.
Efectivamente, na frente do postal, encontramos reproduzida uma foto da cidade de Coimbra vista desde o rio Mondego e também o espaço destinado à leitura do disco, de 78 rotações. No verso do postal, para além do espaço destinado à colocação do selo, do destinatário e texto a escrever, encontramos também a descrição da canção contida na face do postaldisco. Como seria natural, a musica que acompanhava o postal teria que ser um fado ou uma guitarrada de Coimbra, neste caso específico, a Balada de Entardecer da grande referência da canção Coimbrã, Fernando Machado Soares.
Apesar dos anteriores considerandos, arriscamos ser unânime em reconhecer que o grande interesse deste disco era o facto de permitir ao turista de Coimbra a grande possibilidade de poder enviar a alguém, através de um único objecto, um postal que tinha impresso na sua frente um disco. Ou seja, permitia-se assim o envio de um disco, que ao mesmo tempo é um postal e um postal que ao mesmo tempo é um disco. Sem recorrermos a um grande esforço podemos imaginar o prazer do destinatário do postal quando o mesmo recebesse em sua casa este postal com os seguintes dizeres “Olá. Passei pela bela cidade de Coimbra e decidi enviar-te uma música para tu ouvires.”
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Este postaldisco é um edição da Rádio Triunfo, tendo sido a canção Balada do Entardecer extraída do disco Alvorada MEP 60109 ("Fados e Guitarradas de Coimbra") de 1958.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Zé Duarte - Baleia, Baleia


Escolhemos para hoje uma balada de Zé Duarte, mais um cantor cujos dados biográficos e percurso musical é desconhecido da grande maioria dos portugueses, Tal como tentar dar um tiro no escuro pode ter resultados indesejáveis também divagar sobre uma figura que nos é desconhecida pode desaguar em conclusões erróneas, pelo que nos centraremos estritamente nas emoções que transvazam do tema “Baleia, Baleia”, uma interessante canção sobre a vida dos pescadores baleeiros e sobre uma temática que, infelizmente, nos últimos dias tem sido bastante actual. Falamos dos constantes perigos e armadilhas que rodeiam todos os marinheiros e pescadores, os quais arriscam a sua vida no mar, nas agitadas águas em que muitas vezes navegam. Assim tem sido assim nos últimos dias, devido aos enormes temporais que tem assolado o país, que tiveram consequências não só em terra, como também no mar onde já desapareceram alguns pescadores devido à força das tempestades marítimas. “Baleia, Baleia”, retrata assim, com algum romantismo, não só a luta de quem vai como também a angústia de quem fica no areal à espera dos que partiram na incerteza do voltar.

Socorrendo-se de arranjos musicais simples e directos, na mesma linha dos heróis retratados nesta canção, Zé Duarte, músico açoreano nascido na ilha do Pico e emigrado nos E.U.A. desde 1984, deixa a seu cargo não só a letra e música, como também a orquestração. Da análise do disco, conjugado com o facto de nem na capa nem na contracapa do mesmo termos qualquer referência à editora e ano de edição, julgamos tratar-se de uma edição de autor de tiragem bastante limitada. Apesar do aparente desconhecimento da figura de Zé Duarte, uma pequena biografia sua é apresentada pelo próprio na sua página oficial na internet http://www.zeduarte.com/

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Zé Duarte
Lado A - Baleia, Baleia
Lado B - Porque partes emigrante
Letra e Música : Zé Duarte
Ref : Z-100

domingo, 21 de fevereiro de 2010

CHEGOU A YENKA ! TEREZITA GALARZA


Em 1965, o duo Jonnhy & Charley Kurt lançou na Europa um disco com uma canção que se transformou na canção desse Verão. Tal canção chamava-se “La Yenka” e tinha a particularidade de ser cantada acompanhada por uma engraçada coreografia, que rapidamente se transmutou numa dança recorrente nos meados da década de 60 em toda a Europa.
Contrariamente ao que acontece hoje em dia, em que quase todas as composições de grande sucesso são coreografias disfarçadas de canções, promovidas por grandes produções videográficas, nos anos 60 eram poucas as bandas que juntamente com o lançamento de uma determinada canção as faziam acompanhar por um videoclip. A Europa continental não fugia a essa regra e tal como assim sucedeu em Portugal, face à ausência de um videoclip oficial, a contracapa do disco trazia impressa ilustrações que ensinavam os ouvintes a dançar a yenka seguindo cinco passos obrigatórios: saltando para a esquerda duas vezes, saltando para a direita duas vezes, um salto à frente e um salto atrás, culminando com três saltos à frente.


A yenka apareceu em Portugal numa época em que começavam a nascer em Portugal as primeiras bandas pop rock, embora ainda numa fase muito embrionária e tímida, contrariamente ao “yé yé” que era já moda e fenómeno musical bastante divulgado, nomeadamente através dos inúmeros festivais e concursos de Yé Yé que proliferavam um pouco por todo o país. Liricamente inofensivas para o regime político de então, muitas dessas canções yé yé foram autênticos sucessos em Portugal, fossem elas composições originais ou simplesmente versões de composições estrangeiras. Também assim o é a versão portuguesa de “A Yenka”, interpretada por Terezita Galarza, com letra adaptada para português de Hernâni Correia e com arranjos de Shegundo Galarza (que mais podia ser ?), uma canção interpretada pela voz de uma rapariga ainda menina que, contudo, consegue convidar com voz convincente todos os ouvintes (principalmente os mais novos) a juntar-se a ela e a dançar a yenka, segundo as instruções que constavam na contracapa do disco.
Desconhecemos o parentesco de Terezita Galarza com Shegundo Galarza, embora não hesitemos em afiançar que, seguramente, seriam familiares bem próximos devido às parecenças faciais destas duas figuras. Igualmente desconhecemos o percurso musical de Terezita Galarza, se é que o mesmo alguma vez existiu, ou se este disco se tratou de uma mera aventura musical da família Galarza.
Os restantes temas do disco são um reflexo das novas tendências da música que Portugal começava a assimilar a par do fado e que, em certa medida, se mantiveram quase que estanques até finais da década de 60, altura em que, como veremos mais para a frente, o verdadeiro movimento de rock de identidade própria portuguesa começa a emergir, renegando para segundo plano o (tão injustamente) apelidado de nacional-cançonetismo.

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Terezita Galarza acompanhada pelo Conjunto de Shegundo Galarza

1. Chegou a Yenka (Shegundo Galarza – Hernâni Correia)
2. Quero ser alguém (Shegundo Galarza – Hernâni Correia)
3. Chica yé yé (António Algueró – António Guijarro)
4. Olha o palhaço (José Santos Rosa – Hernâni Correia)
Alvorada 60772 (E.P.).

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Portugal - Fado Tropical


Novamente invertemos o rumo do Bairro do Vinil, ao apresentarmos hoje uma composição pouco conhecida de um artista mundialmente famoso. Se é verdade que quando iniciámos este projecto nos propusemos a abordar artistas completamente desconhecidos da música (popular) portuguesa, não deixa de ser menos verdade que também deixámos em aberto a possibilidade de, aos poucos, irmos apresentando temas completamente desconhecidos de artistas portugueses já consagrados. Ao escolhermos para hoje um tema de Georges Moustaki, aliás “Giuseppe Mustacchi” corremos o risco de o leitor eventualmente pensar que o nosso espaço na internet está completamente desvirtuado pois, para além de Moustaki não ser português, é um artista consagrado há quase 6 décadas e conhecido mundialmente (embora, sejamos honestos, se hoje perguntarmos a alguém se conhece tão ilustre figura, a resposta provavelmente será negativa).
Contudo, a escolha de Moustaki não foi feita ao acaso pois este cantor francês (nascido no Egipto, filho de pais gregos) para além de ser um grande amante da cultura e da música de expressão portuguesa (principalmente da musica brasileira) durante muitos anos transportou para a sua música grandes causas, como a da libertação dos povos sujeitos às opressões de regimes ditatoriais e a “proclamação da boa hora permanente” (tal como canta numa das suas canções mais famosas). Não estranhou por isso que a Revolução de Abril, conhecida por Revolução dos Cravos, não lhe fosse indiferente, tendo lançado em 1974 um single dedicado à revolução de 25 de Abril de 1974, precisamente com o título de “Portugal (Fado Tropical)”.
Convém referir, antes de passarmos à musica propriamente dita, que Georges Moustaki desde o início dos anos 70, fazia constantes viagens ao Brasil, onde travou grandes amizades, nomeadamente com o escritor Jorge Amado, e com alguns nomes da canção brasileira, entre os quais Gilberto Gil, Elis Regina, Vinicius de Moraes ou Chico Buarque da Holanda, entre outros. Aliás, foi a partir de uma canção deste último “Fado Tropical” (canção com declamação de poeta de Carlos do Carmo), que Moustaki transformou num enorme êxito a canção “Portugal“, num registo bem ao seu estilo, de arranjos perfecionistas, embora em segundo plano a favor do intimismo que a sua voz nos oferece.
Depois de ter colaborado e de ter escrito para ínumeros ícones da canção francesa, entre os quais Edith Piaf, Henri Salvador ou Yves Montand, depois de ter visto as suas canções versionadas por outros tantos (sendo o mais recorrente o cantor Serge Reggiani) e de ter contado com a ajuda do grande Astor Piazzolla em alguns dos arranjos das suas canções, Moustaki permanece ainda, aos 76 anos em perfeita actividade, tendo visitado o nosso país em 2008, onde ofereceu dois concertos ao público português e no qual, mais uma vez, voltou a cantar em português alguns versos da canção “Portugal”, tal como antes o fizera em disco.
Para além de todo o interesse da letra da canção que transcrevemos, escolhemos também hoje esta canção pelo facto de Georges Moustaki ter cantado meia dúzia de versos da sua letra em português (embora manifestamente abrasileirado, devido às suas longas estadias no Brasil, uma das suas segundas pátrias) e também pela elucidativa capa do disco, representando um cravo vermelho, com todo o simbolismo a ele associado.
Moustaki não foi o único músico estrangeiro a dedicar canções a Portugal e, neste caso concreto, à revolução portuguesa. Por hoje apresentamos este artista, ficando prometido que, mais tarde ou mais cedo, nova abordagem sobre este tipo de registos musicais será por nós feita. Para finalizar, não podemos deixar de salientar o registo do lado B deste single, simplesmente soberbo, com uma das mais belas canções de Moustaki : "Chanson pour elle (elle ne fait pas l' amour, elle ame)".


Oh muse ma complice
Petite sœur d'exil
Tu as les cicatrices
D'un 21 avril

Mais ne sois pas sévère
Pour ceux qui t'ont déçue
De n'avoir rien pu faire
Ou de n'avoir jamais su

A ceux qui ne croient plus
Voir s'accomplir leur idéal
Dis leur qu'un œillet rouge
A fleuri au Portugal

On crucifie l'Espagne
On torture au Chili
La guerre du Viêt-Nam
Continue dans l'oubli

Aux quatre coins du monde
Des frères ennemis
S'expliquent par les bombes
Par la fureur et le bruit

A ceux qui ne croient plus
Voir s'accomplir leur idéal
Dis leur qu'un œillet rouge
À fleuri au Portugal

Pour tous les camarades
Pourchassés dans les villes
Enfermés dans les stades
Déportés dans les îles

Oh muse ma compagne
Ne vois-tu rien venir
Je vois comme une flamme
Qui éclaire l'avenir

A ceux qui ne croient plus
Voir s'accomplir leur idéal
Dis leur qu'un œillet rouge
À fleuri au Portugal

Débouche une bouteille
Prends ton accordéon
Que de bouche à oreille
S'envole ta chanson

Car enfin le soleil
Réchauffe les pétales
De mille fleurs vermeilles
En avril au Portugal

Et cette fleur nouvelle
Qui fleurit au Portugal
C'est peut-être la fin
D'un empire colonial


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domingo, 24 de janeiro de 2010

Paco Bandeira e a sua viola

Num dos nossos primeiros comentários, aflorámos já um lado menos conhecido do sobejamente conhecido Paco Bandeira, realçando a sua versatilidade inesperada ao mesmo que a confrontava-mos com constância do mesmo género musical (musica ligeira) que optou durante grande parte da sua carreira. Hoje, apresentamos aos nossos leitores um disco de todo inesperado e totalmente desconhecido da grande maioria dos portugueses e até dos fans do artista em particular. Trata-se de um dos mais antigos discos de Paco Bandeira (senão o primeiro?), gravado para a etiqueta Rapsódia, e cujo ano, a julgar pela referência deste E.P., se situará com elevado grau de probabilidade em 1967, ou seja há 43 anos atrás.
A particularidade deste disco, para além de apresentar um jovem Paco Bandeira acompanhado exclusivamente à viola, tal qual Dylan, num registo folk music, é a de Paco Bandeira se nos apresentar cantando em português do Brasil. Temos tentado esclarecer junto de alguns entendidos pela música a razão que levou Paco Bandeira a gravar este disco com 4 temas exclusivamente cantados em português do Brasil, embora arrisquemos que a razão principal prende-se com a temática do disco, manifestamente relacionada com a emigração e as saudades do pais de origem, numa relação que vislumbramos estar intimamente contextualizada entre o povo português e o povo brasileiro, que Paco Bandeira encarna tão veemente.
Despido de arranjos orquestrais que sempre o acompanharam nas suas gravações, Paco Bandeira neste disco, recorre ao que mais de genuíno há num cantor: a sua voz, apenas acompanhada, como já se referiu, pela sua viola, razão pela qual o disco se chama precisamente “Paco Bandeira e a sua viola”.
Para além da capa que apresentamos hoje, conhecemos uma outra versão deste disco, da mesma editora, com os mesmos registos musicais mas com uma capa radicalmente diferente.

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"Paco Bandeira e sua Viola"
Lado A1- Canção ao Porto (Paco Bandeira)
Lado A2- Sonho Curioso (Paco Bandeira)
Lado B1- O Emigrante (Paco Bandeira)
Lado B2- Dália (Paco Bandeira)
Rapsódia EPF 5.339

domingo, 17 de janeiro de 2010

Germano Rocha - Floresce a Vida

Hoje retiramos do baú do esquecimento a figura de Germano Rocha, mais um ilustre emigrado, perfeito desconhecido nos tempos de hoje. De seu nome completo Germano Pereira da Rocha, nasceu na terra do folclore, em Santa Marta do Portuzelo, em 1937, tendo sido naquela colectividade que cantou pela primeira vez com a tenra idade de 8 anos. Antes de começar a cantar profissionalmente, encontrava-se empregado no Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Lisboa. Foi nessa cidade que teve contacto pela primeira vez com o fado, tendo sido enquanto cumpria o serviço militar, em 1958, que cantou no Restaurante Típico Luso e conseguido a sua carteira profissional, facto que lhe permitiu adquirir um passaporte e partir para França. Aliás, foi nesse país que Germano Rocha, passou a ser verdadeiramente um músico profissional, quando, em Paris é descoberto por um célebre musicógrafo francês, Jean Witold, que lhe abriu as portas para gravar, em pouco tempo uma série de discos em formato Long Play, em língua portuguesa para a Polydor e para a Barcllay, com fados e baladas portuguesas, nomeadamente fados de Coimbra. Depois dos discos seguiram-se as actuações, tanto em televisões como espectáculos, tendo corrido o mundo, até se radicar, de forma aparentemente definitiva no Canadá, onde hoje é membro da «Guilde des Musiciens du Québec», da Sociedade dos Autores Compositores do Canadá e membro Honorífico da Confraria dos Enologistas do Québec.
Após contacto com o artista e após uma pesquisa na Internet, recolhemos também, do próprio site de Germano Rocha, este parágrafo que transcrevemos: “Instalado na citade de Québec desde há alguns anos, onde possuiu um restaurante típico, Germano Rocha, não abandonou a ideia de ser divulgado em Portugal. Canadá, já o homenageou, escolhendo uma das suas canções escrita em francês, para ser arquivada no Museu do Homem da cidade de Ottawa na selecção intitulada «Many are strong among the Strangers».”

Germano Rocha, em 1965.
Curiosamente, em 1965, numa entrevista para um revista de actualidades portuguesa, Germano Rocha, dizia peremptóriamente que jamais cantaria em francês por entender que as suas canções se encontravam ao serviço da música portuguesa. Ora,o que é certo é que, até ao momento o estado português ainda não se lembrou de reconhecer institucionalmente o trabalho de divulgação da nossa cultura levado a cabo por Germano Rocha ao longo de mais de 5 décadas,o que de certa forma não nos espanta, atendendo ao facto de outros artistas portugueses (bem mais conhecidos que Germano Rocha) terem tido também papel de destaque no estrangeiro e hoje encontrarem-se perfeitamente esquecidos.
Cabe-nos a nós tentar inverter a situação e divulgar ainda que de forma bem modesta a excelente qualidade das canções de Germano Rocha editadas em Portugal sob a chancela da Alvorada. Não se tratam de meras canções saudosistas ou canções desprovidas de sentido poético, bem pelo contrário. Tratam-se de canções com arranjos instrumentais de grande preponderância, criando-se assim um tapete sonoro que reforça a temática adjacente a cada um dos poemas orquestralmente musicados pelo maestro Victor Campos. Curiosamente, Germano Rocha na série de EP's e singles que gravou em Portugal socorreu-se de arranjos orquestrais em detrimento do acompanhamento das violas e guitarras portuguesas, facto que deu um outro "balanço" rítmico à sua voz e uma certa emotividade em determinadas canções. Assim, destacamos as os temas “Altos Fundos”, escritos sobre refrão popular, e “Canção de Vitória” , para ilustrarmos da melhor forma possível a elevada qualidade de produção deste disco
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Germano Rocha - "Floresce a Vida"
Alvorada : EP-S-60-1517
Lado A 1. Floresce a Vida (Germano Rocha)
Lado A 2. Altos Fundos (Germano Rocha/Popular)
Lado B 1. Canção de Vitória (Germano Rocha/ João de Castro Osório)
Lado B2 . Beijos que eu te dei (Germano Rocha/Manuel Collares Pereira)