sábado, 10 de abril de 2010

Luis Carlos e Bispo Pimenta - O judeu e a barba

Ao termos assumido como ponto de partida a nossa manifesta ignorância perante o nome e percurso de diversos artistas portugueses e ao nos termos autoproposto a escrever sobre eles, tínhamos consciência de que poderíamos correr sérios riscos de escrever sobre artistas cujo nome ou percurso musical nos era obrigatório conhecer. Contudo, existem nomes, que por mais pesquisas que se façam, sobre eles não conseguimos encontrar qualquer informação, a não ser que nos desloquemos aos jornais de âmbito local ou a Arquivos Municipais de diversas regiões do pais, o que para já não é a nossa intenção. Conforme já referimos, preferimos convidar os leitores a colaborar nos nossos textos, de modo a torná-los o menos incompletos possíveis.
Os dois nomes que descobrimos recentemente são exemplos paradigmáticos do que referimos no parágrafo anterior: falamos de Luís Carlos e de Bispo Pimenta, um duo que ganhou o 1.º Prémio dos Jogos Florais de Trás-os- Montes, com a canção “Cantar é ser livre”. Sobre eles e sobre o seu percurso pré e pós Jogos Florais nenhuma informação adicional dispomos, para além das informações que constam na contracapa do disco. Em relação a Luís Carlos, o mesmo tinha em 1977 (data de lançamento do disco) apenas 18 anos e era natural de Vila Nova de Fôz Coa, sendo ainda estudante. Era sobre ele que recaía a responsabilidade de escrever as letras e compôr as canções e embora nenhuma referência expressa conste do disco, arriscamo-nos a dizer que seria também Luís Carlos que se encarregava da parte vocal das canções. Em relação a Bispo Pimenta, (cujo nome completo era Fernando António Bispo Pimenta) seu papel é quase idêntico ao de Luís Carlos, uma vez que compunha as canções juntamente com aquele, tocando também viola.
Tem sido sempre nossa preocupação partilhar temas que, por uma ou outra razão nos chamam mais a atenção em detrimento de outros. Em relação a este duo não foi propriamente a canção “Cantar é ser livre” que nos despertou interesse, uma vez que tal temática era mais do que recorrente no período pós 25 de Abril, embora estivéssemos já em 1977. É sim, a última canção deste E.P. que nos desperta a atenção, pela temática a ela associada.

A canção chama-se “O judeu e a barba”, tendo sido escrita e composta por este duo, com a colaboração de uma terceira pessoa (Fernando Pereira) e tem como tema central o holocausto nazi e em especial os campos de concentração. Mórbido demais para alguns, chocante para outros, esta canção fala de um corpo de um judeu já falecido, cuja barba lhe fora arrancada já em momento posterior à sua morte, aproveitada para diversos fins.
É certo que muitas canções sobre o holocausto existem espalhadas por esse mundo fora, principalmente provenientes de países que de uma forma directa ou indirecta estiveram associados ao holocausto nazi. Sendo certo que não conhecemos tudo, esta é até ao momento a única canção que encontrámos cantada por um artista popular ou grupo português que tem como temática central os campos de concentração de nazis e o holocausto associado ao extermínio de judeus, interpretada num interessante registo folk-rock, com uma acentuada vertente baladeira.
Por outro lado, um outro aspecto que nos chamou a atenção e que confere especial interesse a este disco é o intrínseco mistério que recaí sobre a sua capa. Ora, se na verdade os artistas são o Luís Carlos & Bispo Pimenta, então porque razão na fotografia da capa se encontram 3 pessoas e não somente duas ? Naturalmente que dessas três pessoas, duas delas terão que ser Luís Carlos e Bispo Pimenta. E quem será o terceiro elemento ? Fernando Pereira ? Ou outro músico que terá participado na gravação dos temas ? A esta pergunta naturalmente não sabemos responder, ficando a aguardar que algum dos nossos leitores possa satisfazer a nossa curiosidade e por certo a curiosidade dos portugueses que eventualmente tenham este disco, gravado já na fase final da etiqueta Rapsódia.
Clique no Play para ouvir "O judeu e a barba"
Luis Carlos & Bispo Pimenta
Rapsódia EPF 5818
1. Cantar é ser livre (Luis Carlos - Bispo Pimenta)
2. Ilusões (Luis Carlos - Bispo Pimenta)
3. O Judeu e a Barba (Luis Carlos - Bispo Pimenta - Fernando Pereira)

6 comentários:

hotfinder disse...

Boa noite, fico muito contente por ver este disco aqui publicado, visto que o meu pai é um dos intervenientes, Bispo Pimenta.
Cumprimentos e fiquei muito contente...

hotfinder disse...

A 3ª pessoa que aparece foi um percurssionista convidado que fez parte da gravação do album, mas que não fazia parte do grupo...

bairro do vinil disse...

Boa tarde, agredeço o seu comentário e peço desculpa pela demora em responder.
Já agora por uma questão de rigor, pode saber junto do seu pai, qual o nome do percursionista convidado ?

E este duo, teve continuidade ?

Obrigado

JP

JAC disse...

A terceira pessoa, com efeito, é o percussionista. Chamava-se José Paulo e já faleceu.

JAC disse...

Já agora deixo aqui mais umas informações:
- http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Adriano_Carlos

- Aristoxen é um pseudónimo de Luis Carlos, tem página no http://www.myspace.com/aristoxen

JAC disse...

Só mais um apontamento, o percossionista na música do judeu, era conhecido como «zé paulos».